25 de janeiro

Diretas levam milhões às ruas do país

Grandes manifestações ocorrem nas capitais; em SP, ato reúne 300 mil na praça da Sé

Depois de realizar grandes comícios em Curitiba, Salvador, Vitória e Campinas (SP), a campanha pelas Diretas-Já reúne 300 mil pessoas na praça da Sé, no centro de São Paulo, na maior manifestação popular até então desde o golpe de 1964. O governador Franco Montoro e os outros oito governadores do PMDB, além de Leonel Brizola, do PDT, e do presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, estavam no palanque. Consolidou-se ali a frente de partidos de oposição, sindicatos e movimentos populares pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que instituía eleições diretas para presidente em 1984.

O comício da Sé teve cobertura ao vivo de emissoras de rádio e das redes de TV Bandeirantes e Manchete. A Rede Globo mostrou poucos segundos de imagens no "Jornal Nacional" – a reportagem afirmava que a multidão estava reunida como parte das “comemorações do aniversário de São Paulo”. A emissora, que detinha na época dois terços da audiência, boicotou a campanha das Diretas em seu noticiário.

A Globo se recusou a exibir anúncios chamando para os comícios e só noticiou os dois últimos atos públicos, quando faltavam duas semanas para a votação da emenda. Apesar de praticamente não ter aparecido nos noticiários da maior rede de televisão do país, o movimento pelas Diretas-Já se transformou na maior campanha popular da história do Brasil. Entre o comício do Pacaembu, em dezembro de 1983, e o da Sé, houve manifestações em Curitiba (50 mil), Salvador (10 mil), Vitória (10 mil) e Campinas (12 mil).

Os números cresceram ainda mais na medida em que se aproximava a data da votação da emenda, 24 de abril. Trezentas mil pessoas compareceram ao comício no centro de Belo Horizonte, em 24 de fevereiro, e 250 mil em Goiânia, em 12 de abril. Em 90 dias, houve atos em 28 capitais e grandes cidades, com público total de 10 milhões de pessoas. Os dois últimos comícios reuniram 1 milhão na Candelária, no Rio, em 10 de abril, e 1,5 milhão no vale do Anhangabaú, em São Paulo, no dia 16.

As manifestações foram marcadas pela presença de artistas famosos nos palanques, ao lado dos líderes políticos, e pela alegria e espontaneidade do público. O locutor oficial dos comícios foi o narrador esportivo Osmar Santos, o mais popular na época. Músicos como Chico Buarque e Milton Nascimento cantaram no palco. No chão, artistas populares e grupos circenses faziam exibições. Sindicatos e associações organizaram cordões carnavalescos. As camisas amarelas, cor oficial da campanha, tomavam conta do país. Pesquisa do Ibope apontou apoio de 84% às Diretas.