18 de junho

Ditador absoluto, Médici faz sucessor

Ernesto Geisel, conspirador de 1964, é o escolhido para manter a ditadura

Em reunião com a Comissão Executiva Nacional da Arena, o general presidente Emílio Garrastazu Médici formaliza a indicação do seu sucessor: o general Ernesto Geisel, que na ocasião era presidente da Petrobras.

Geisel foi um dos conspiradores do golpe de 1964. Era ligado ao grupo da Escola Superior de Guerra, onde se desenvolveu a cultura anticomunista e pró-EUA das Forças Armadas nas décadas de 1950 e 1960. Foi chefe da Casa Militar do general presidente Castelo Branco, que o promoveu a general.

A indicação de Ernesto Geisel teve a influência de seu irmão mais velho, Orlando, ministro do Exército no governo Médici. Orlando Geisel foi o criador do DOI-Codi e comandou o aparato de repressão, tortura e morte de oposicionistas que se formou naquele período conhecido como “os anos de chumbo”.

Garrastazu Médici não encontrou contestações no meio militar à sua indicação – muito menos no seio da Arena. Tornou-se, assim, o primeiro presidente do ciclo da ditadura a concluir seu período de governo e “fazer” o sucessor.

Na reunião com a Executiva da Arena, Médici afirmou sobre Geisel: "O candidato em que me detive preenche de modo superabundante os pressupostos, havendo a mais completa segurança de que não permitirá, uma vez investido na Presidência da República, sofra qualquer desvio a filosofia econômica, social e política a que se filia a ordem revolucionária”.

Para o cargo de vice-presidente foi indicado o general Adalberto Pereira dos Santos, que era na época ministro do Superior Tribunal Militar. Também ligado à Escola Superior de Guerra, o general Adalberto era o chefe do Estado-Maior do Exército quando Costa e Silva baixou o Ato Institucional n° 5 (AI-5).