13 de maio

Ditadura rompe relações com Cuba

Na Guerra Fria, militares alinham política externa às ordens dos EUA

O Brasil rompe relações diplomáticas com Cuba, assinalando a mudança de orientação da política externa brasileira. Até o governo Jango, o país adotava uma linha de independência em relação aos blocos político-militares da Guerra Fria. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros havia condecorado o líder guerrilheiro e ministro da Indústria cubano, Ernesto Che Guevara. Na Organização dos Estados Americanos (OEA), o Brasil havia negado apoio à expulsão dos cubanos proposta pelos EUA.

A nova atitude em relação a Cuba, primeiro país da América Latina a se declarar socialista, decorreu do alinhamento ideológico e diplomático aos norte-americanos, que combatiam o regime de Fidel Castro e haviam patrocinado a fracassada tentativa de invasão do país por anticastristas na Baía dos Porcos. Como recompensa, os EUA ofereceriam ajuda econômica e militar à ditadura brasileira.

Os norte-americanos também deram suporte técnico ao aparelho de repressão brasileiro. Desde uma década antes do golpe, o Brasil enviava regularmente militares para a Escola das Américas, que treinou agentes dos regimes ditatoriais de toda a América Latina nas décadas de 1960 e 1970. Os grupos de direitos humanos do país identificaram, entre os treinados pela escola, o brigadeiro João Paulo Burnier, que teve abortado um plano arquitetado para explodir o Gasômetro do Rio e matar os mais importantes líderes da oposição institucional ao regime militar brasileiro, em 1968. Vários torturadores brasileiros chegaram a atuar como instrutores da academia norte-americana.