setembro

DOI-Codi, a máquina de torturar e matar

Exército implanta e comanda nova estrutura de repressão política

Ministro do Exército indicado pelo presidente Garrastazu Médici, o general Orlando Geisel cria o Departamento de Operações de Informação do Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi. Inspirado no modelo da Operação Bandeirante (Oban), que reunia forças civis e militares, o DOI-Codi iria centralizar e organizar toda a repressão aos adversários do regime, sob o comando de Geisel e do chefe do Estado-Maior do Exército.

O departamento se tornaria conhecido como a central de tortura e assassinato dos adversários do regime. Apenas pelo DOI-Codi do 2° Exército (São Paulo) passaram mais de 6.700 presos, dos quais pelo menos 50 foram assassinados sob custódia entre 1969 e 1975, segundo o pesquisador Pedro Estevam da Rocha Pomar. Nesse período, foram totalmente desarticuladas, por assassinatos e prisões, organizações como Ação Libertadora Nacional (ALN), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e Ala Vermelha, entre outras. 

Esse aparelho militar de repressão foi criado na esteira do sequestro do embaixador dos EUA realizado por comandos da ALN  e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Espelhando-se na estrutura das Forças Armadas, a organização cobria todo o país. Além de pessoal do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, empregava policiais civis e militares, os Dops estaduais e até soldados dos corpos de bombeiros. Em São Paulo, o órgão utilizou as instalações da Oban, no bairro do Paraíso, e, no Rio, o quartel da Polícia do Exército, na Tijuca.