16 de dezembro

DOI-Codi comanda a chacina da Lapa

Dirigentes do PCdoB são fuzilados a sangue frio ao final de reunião em São Paulo

Agentes do DOI-Codi e do Dops invadem uma casa no bairro da Lapa, em São Paulo, e assassinam a tiros de metralhadora dois dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. Um terceiro, João Batista Franco Drummond, preso horas antes, foi torturado e morto na sede do DOI-Codi. Outros quatro líderes que haviam deixado a casa durante a madrugada foram seguidos, presos e  torturados. Depois de matar 10 dos 29 dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) entre 1974 e 1976, a ditadura liquidou na Lapa o comando do PCdoB.

A chacina da Lapa foi uma das últimas ações de extermínio executadas pelo aparelho repressor da ditadura. Balanço da ação do DOI-Codi do 2° Exército informa que entre 1969 e 1977 foram presas na área 3.455 pessoas e 54 foram mortas. Os dados fazem parte de monografia preparada pelo do coronel Freddie Perdigão para a Escola de Comando do Estado-Maior do Exército, em 1978. Perdigão foi um notório torturador e participou de ações terroristas até os anos 1980.

Os agentes do Dops na Lapa foram comandados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, o mais famoso torturador e assassino daquele período. À frente da equipe do DOI, esteve o tenente-coronel Rufino Ferreira Neves, que respondia ao comandante do 2° Exército, general Dilermando Gomes Monteiro. A versão oficial foi de que Pomar e Arroyo morreram em tiroteio, resistindo à prisão, e que Drummond teria sido atropelado quando fugia pela avenida 9 de Julho. Investigações posteriores mostraram que se tratava de uma farsa do DOI-Codi, que já havia montado versões mentirosas de suicídio para os assassinatos do jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976.

Dilermando foi o sucessor do general Ednardo D’Ávila Mello, destituído em janeiro de 1976 após o assassinato de Fiel Filho. Ao contrário do antecessor, Dilermando foi prestigiado no comando pelo general presidente Ernesto Geisel, que havia conquistado o pleno controle do aparelho repressivo.

Na reunião da Lapa, a direção do PCdoB fazia um balanço da derrota da guerrilha do Araguaia, consumada em 1974. Três anos depois da chacina, o partido acusou o dirigente Manoel Jover Telles, que havia escapado ao cerco, de ter denunciado o encontro à repressão. Telles negou a acusação, mas foi expulso do partido.