26 de fevereiro

Estreia 'Este Mundo é um Pandeiro'

Filme com Oscarito e Grande Otelo inaugura a era de ouro da chanchada

“Este Mundo É um Pandeiro”, comédia de Watson Macedo, é lançada no Rio de Janeiro. Protagonizado por Oscarito e Grande Otelo, o filme tem números musicais de Emilinha Borba (“Escandalosa”, de Djalma Esteves e Moacyr Franco), Horacina Correia (“Os Quindins de Iaiá”, de Ari Barroso) e Bob Nelson (“Eu Quero É Rosetar”, de Haroldo Costa e Milton Oliveira), entre outros, com direção musical de Lírio Panicalli.

A produção marcou o início da fase de ouro das chanchadas da Companhia Cinematográfica Atlântida, do Rio, com estrondoso sucesso de bilheteria. Criticado pela intelectualidade – em especial a paulista –, o estilo foi apelidado de “chanchada”, palavra que tem a conotação de arte de qualidade duvidosa.

Naquelas alturas, a paródia hollywoodiana, o estilo bufo e o realismo grotesco dessas produções nacionais já haviam caído no gosto das classes populares e proporcionavam um sucesso financeiro que jamais o cinema brasileiro repetiria. Por isso mesmo, a Atlântida, longe de se importar com os rótulos, adotaria a chanchada como marca registrada de suas comédias de grande bilheteria.

A dupla Grande Otelo e Oscarito repetiria o sucesso nos anos seguintes. Em 1953, os filmes da Atlântida chegariam a 250 milhões de espectadores em mais de 2.400 salas de exibição, num país com 50 milhões de habitantes. Era um público que emergia no processo de modernização e industrialização do país: modestos funcionários públicos, trabalhadores do setor terciário e migrantes que iam fazer a vida nas grandes cidades.

O filme “Este Mundo É um Pandeiro” é considerado irremediavelmente perdido. Suas únicas cópias conhecidas seriam destruídas no incêndio que tomou conta dos estúdios em novembro de 1952.