1º de janeiro

Barragem de Três Marias é inaugurada

Projeto visa, além de gerar mais energia, desenvolver a região do rio São Francisco

O presidente Juscelino Kubitschek inaugura, em Minas Gerais, a barragem da usina de Três Marias, considerada a maior do Brasil até então, com 2,7 quilômetros de extensão, 75 metros de altura e capacidade para 19,5 bilhões de metros cúbicos de água.

Oficialmente denominada Bernardo Mascarenhas, a usina só entraria em funcionamento em 25 de julho do ano seguinte, com potencial energético equivalente a 500 megawatts e capacidade instalada que chegaria a 396 megawatts, o suficiente para abastecer 1,1 milhão de pessoas.

Junto com a expansão da usina de Paulo Afonso e a construção da Central Elétrica de Furnas, Três Marias integraria um complexo das três maiores hidrelétricas do país. Esse conjunto, em triângulo, sustentaria o desenvolvimento industrial e o projeto de integração regional previstos no Plano de Metas de Juscelino. Desse complexo, Três Marias era a de maior volume de retenção de água, num lago artificial de 1.050 quilômetros quadrados de superfície, três vezes maior que a baía de Guanabara.

No início do governo JK, o país tinha 7 bilhões de metros cúbicos de água represada. No fim de seu mandato, o volume chegaria a 82 bilhões. Nesse período, as indústrias elétrica e de comunicações cresceriam 380%.

Para chegar a isso, Juscelino executaria o projeto idealizado em 1948 pelo primeiro presidente da Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), Lucas Lopes, e incluído em 1950 no Plano Geral de Aproveitamento Econômico do Vale do São Francisco. Era um projeto sistêmico, concebido para dotar a região de condições para seu desenvolvimento: controlar a vazão do rio — de modo a permitir a navegação e evitar enchentes no trecho pós-barragem —, promover a irrigação, o turismo e o lazer e, claro, produzir energia.