23 de fevereiro

Eisenhower levanta a bandeira branca

Em visita ao Brasil, presidente dos EUA quebra o gelo e anuncia apoio

Chega ao Brasil o presidente norte-americano Dwight “Ike” Eisenhower. A viagem do chefe de Estado da nação mais rica do mundo ao maior país da América do Sul, que deveria ser simplesmente protocolar, torna-se o ponto de partida para o estabelecimento de novas relações dos Estados Unidos com seus vizinhos.

As relações entre os governos de JK e Eisenhower estavam estremecidas desde o rompimento do Brasil com o Fundo Monetário Internacional, em 1959. As dificuldades para obtenção de financiamentos dos Estados Unidos a projetos brasileiros aumentaram desde que Eisenhower assumiu o posto, em 1953, período em que a América Latina vinha deixando de ser prioritária para a política externa norte-americana.

A visita ao Brasil coincide com a assinatura do acordo comercial entre Cuba e União Soviética — que reduziria os impactos político-financeiros dos embargos impostos por Washington à ilha — e com a abertura de negociações para o reatamento das relações comerciais entre o Brasil e o bloco comunista, encaminhadas pelo chanceler Horácio Láfer. 

Além disso, no início de 1960, o governo cubano convidaria o Brasil a participar de uma conferência de países subdesenvolvidos, reunindo Estados latino-americanos, africanos e asiáticos em Havana.

Esses movimentos teriam acendido uma luz de alerta em Washington, que passaram a dedicar maior atenção ao Brasil e à América Latina.

A visita presidencial ao Brasil e outros países do Cone Sul, agendada para fevereiro, revestiu-se portanto de um caráter que ultrapassava a “missão de boa vontade”, na expressão utilizada pelo Departamento de Estado norte-americano: era um indicador de mudanças na política dos Estados Unidos para a região.

Durante a visita de Eisenhower, o Brasil conseguiria seu apoio à proposta de Juscelino de articular a Operação Pan-Americana (OPA), concebida para incrementar a ajuda aos países da América Latina.

A tese defendida por JK era que o combate ao comunismo seria muito mais eficiente com iniciativas e financiamentos para estimular o desenvolvimento da região do que com discursos ideológicos e ações militares.

Os presidentes assinaram então a Carta de Brasília, que explicitava o apoio norte-americano à OPA e a necessidade de “iniciativas mais fecundas” no campo do desenvolvimento econômico do hemisfério. Ficou acertada ainda uma viagem de Láfer aos Estados Unidos, para dar continuidade às negociações em torno da OPA — e do FMI.