13 de novembro

Eleição nos Estados volta a ser direta

Ditadura adia eleição municipal para ganhar tempo e aposta em 1982

O Congresso Nacional aprova por unanimidade emenda do governo que restabelece o voto direto nas eleições para governador previstas para 1982. A oposição recebeu com desconfiança a iniciativa da ditadura, que em setembro havia conseguido aprovar o cancelamento das eleições municipais daquele ano, prorrogando por dois anos os mandatos de prefeitos e vereadores. Os "sinais trocados" revelavam os limites da “abertura” controlada.

Além da falta de legitimidade do regime, o país vivia a maior crise econômica desde o golpe de 1964 e já mostrava sinais de grave situação social. Em outubro, a inflação tinha ultrapassado os 100% e se preparava o racionamento de combustíveis.Greves de trabalhadores e conflitos de terra intensificavam-se em todo o país.O governo temia sofrer uma derrota nas eleições municipais com o quadro de seis novos partidos. Por isso, prorrogou os mandatos dos prefeitos, medida aprovada por uma diferença de seis votos no Congresso. A aposta da era adiar o confronto nas urnas para 1982 e modificar a legislação para favorecer o PDS. A mudança das regras eleitorais seria anunciada no final de 1981. 

A mesma emenda que convocou eleições diretas para governador extinguiu a figura do senador “biônico”. O mandato dos 22 senadores escolhidos indiretamente em 1978, entretanto, foi preservado. Continuaram proibidas as eleições diretas para prefeito nas capitais e nas cidades de “segurança nacional”. Emenda apresentada pelo PMDB, tornando diretas as eleições presidenciais, foi barrada pela maioria governista.