17 de agosto

Em apuros, Rússia decreta moratória

Decisão de Ieltsin desencadeia onda de crises em economias emergentes

A Rússia decreta moratória de sua dívida externa por 90 dias e desvaloriza sua moeda, o rublo, em até 30% num único dia. Essa foi a alternativa do governo de Boris Ieltsin para enfrentar a grave crise econômica que atingira o país.

Desde o início da década de 1990, a Rússia vivia uma caótica transição do socialismo para o capitalismo. O país fora ainda prejudicado pela redução da oferta de crédito depois da crise financeira dos "tigres asiáticos" em 1997 e pela queda dos preços internacionais das commodities. Com as reservas cambiais comprometidas diante dos ataques especulativos ao rublo, o país tentara sem sucesso conseguir novos empréstimos para saldar suas dívidas de curto prazo, da ordem de US$ 80 bilhões.

A crise russa teve reflexos nas economias de outros países emergentes, que igualmente enfrentavam a redução da confiança dos investidores externos e a saída maciça dos chamados capitais de curto prazo. O Brasil foi um dos mais atingidos pelos ataques especulativos, sendo forçado a pedir socorro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a desvalorizar o real em janeiro de 1999.  A crise de 1998 produziu uma forte recessão na economia russa, com encolhimento de 4,9% no PIB e inflação anual de 84%.