janeiro

Reformas de Base unificam a esquerda

Criada a Frente de Mobilização Popular, para pressionar o Congresso e o governo

Sob a liderança do governador gaúcho Leonel Brizola, é criada a Frente de Mobilização Popular (FMP), que deverá funcionar como instrumento de discussão e mobilização das principais forças políticas que lutam pelas Reformas de Base.

No início de 1963, a situação se complicava para o presidente João Goulart: apesar de seu compromisso com as reformas, ele enfrentava não só um Congresso conservador, mas também a radicalização das esquerdas, que não aceitavam negociação e queriam reformas "na lei ou na marra". Unidas na FMP, essas esquerdas buscariam levar o governo para a esquerda e pressionar o Congresso a aprovar as reformas, em especial a agrária.

Para essa frente convergiriam comunistas, socialistas, trabalhistas, nacionalistas, católicos, associações de sargentos, marinheiros e fuzileiros navais, entidades estudantis, sindicatos e federações operárias e camponesas e grupos revolucionários.

Em outubro de 1962, visando eleger uma numerosa bancada de esquerda, Brizola e o governador de Goiás, Mauro Borges, haviam liderado a formação da Frente de Libertação Nacional (FLN), que pretendia impor o controle sobre a remessa de lucros, nacionalizar empresas estrangeiras e acelerar a reforma agrária. À FLN aderiram também o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e a União Nacional dos Estudantes (UNE), presidida por Aldo Arantes. Após eleger uma significativa bancada, a FLN fora extinta.

A FMP atuaria de forma combativa no Congresso, fazendo a disputa política com a direita parlamentar sustentando as mesmas bandeiras reformistas.

Durante algum tempo, Jango manteria distância das propostas da FMP, de olho no apoio do PSD para as reformas mais moderadas.

O PSD era o partido que eleitoralmente tinha mais força, maior capilaridade e lideranças de maior expressão nacional. Atuava como centro político do Congresso, atraindo e equilibrando as diferentes forças partidárias e combinando uma postura conservadora com largas doses de moderação e capacidade de negociação.

As esquerdas, entretanto, sentindo-se fortalecidas pela vitória da campanha da legalidade em 1961, seguiam desdenhando a mediação pessedista e pressionando Jango a explicitar onde estava sua lealdade, aproveitando todas as oportunidades para arrancar as reformas.

No início de 1964, o presidente voltaria a se aproximar da FMP, mas já seria tarde: logo viria o golpe militar, e a frente seria liquidada.