2 de janeiro

Meta agora é crescer com estabilidade

Novo governo promete ainda geração de empregos e distribuição de renda

Conforme compromisso assumido durante a campanha presidencial, em sua “Carta ao Povo Brasileiro”, o novo presidente mantém o chamado tripé macroeconômico — metas de inflação, câmbio flutuante e superávits primários. Deixa claro, porém, que o governo perseguirá também outros três objetivos: crescimento, geração de emprego e distribuição de renda. Para cumprir essa tarefa, Lula nomeia Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central.

Palocci, militante do Partido dos Trabalhadores (PT), fora um dos principais dirigentes da campanha presidencial de Lula. Já Henrique Meirelles fizera carreira como executivo do setor financeiro. Elegeu-se deputado federal em 2002 pelo Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) de Goiás, mas abriu mão do mandato para assumir a presidência do Banco Central.

De modo geral, a política econômica que se iniciava em 2003 e se estenderia até o final do segundo mandato de Lula seria marcada pela combinação entre desenvolvimentismo e estabilidade econômica. Entre 2003 e 2005, a economia brasileira se caracterizaria pela redução da inflação. Entre 2006 e 2008, ganhariam centralidade a aceleração do crescimento, o aumento do investimento e a elevação do emprego.

Com a crise mundial de 2008, o governo adotaria uma série de medidas anticíclicas para combater seus impactos: mais investimento público, ampliação do crédito para pessoas físicas e jurídicas, redução de impostos sobre diversos setores e produtos e manutenção do mercado interno.

No período de 2003 a 2010, o PIB real do Brasil saltaria de R$ 1,3 trilhões para R$ 3,7 trilhões. A inflação seria gradativamente reduzida: média de 6,43% entre 2003 e 2006 e de 5,14% entre 2007 a 2010. As reservas internacionais subiriam de US$ 37,7 bilhões em 2002 para US$ 288,6 bilhões em 2010. A dívida líquida em relação ao PIB cairia de 60,4% para 39,2%. O investimento público em relação ao PIB, que era de 1,3%, atingiria 2,7%, e o investimento estrangeiro passaria de US$ 16,6 bilhões para US$ 48,5 bilhões.