6 de junho

Estudantes da UnB desafiam o regime

Greve da UnB é um marco na reorganização dos estudantes

Na Universidade de Brasília (UnB), reina como reitor em 1977 um preposto do regime, o autoritário capitão-de-mar-e-guerra José Carlos Azevedo, ligado ao chefe do gabinete militar da Presidência, general Hugo Abreu. A universidade, que era considerada um centro de resistência ao regime, já havia sofrido três invasões desde o golpe de 1964 e tivera um de seus principais líderes estudantis, Honestino Guimarães, preso e desaparecido, em 1973.

Em abril, o reitor suspendera 16 estudantes em represália a um ato público que havia recordado o assassinato do estudante Edson Luís pela polícia em 1968, no Rio de Janeiro. Os alunos tentaram inutilmente negociar a suspensão das punições e entraram em greve no final de maio. Em junho, Azevedo pede uma nova invasão do campus, efetuada pela PM e os fuzileiros navais. Agentes do Serviço Nacional de Informações (SNI) são infiltrados como falsos estudantes para espionar o movimento.

A greve continua, sob o lema “põe o capitão na rua”. Parlamentares de oposição, a igreja católica, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras organizações da sociedade se solidarizam com os estudantes. A ocupação duraria três meses. Dezenas de estudantes foram presos e processados com base na Lei de Segurança Nacional, 64 foram suspensos e 34, expulsos.

Durante o período de ocupação, em setembro, um encontro nacional de estudantes na PUC de São Paulo também terminaria em invasão policial, fortalecendo a luta dos estudantes para recriar a União Nacional dos Estudantes (UNE). Embora derrotada, a greve da UnB foi um marco na ressurreição do movimento estudantil, que recuperaria seu protagonismo na luta pela democracia.