30 de março

Renasce o movimento estudantil

Primeira passeata desde o AI-5 mobiliza 2 mil alunos da USP: 'Abaixo a repressão'

Cerca de 2 mil estudantes da Universidade de São Paulo (USP) saem em passeata desde o campus universitário até o largo de Pinheiros. Os estudantes da USP, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e da PUC do Rio estavam em greve desde o início do ano letivo, em protesto contra o corte de verbas para a educação e o aumento das anuidades e taxas. A passeata de março expressou a retomada do movimento estudantil, que vinha se reorganizando rapidamente em todos o país. Silenciado desde 1968, o movimento estudantil começa a se reorganizar.

Em maio de 1976 os alunos da USP haviam criado o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre Alexandre Vannucchi Leme, eleito diretamente, à margem da estrutura oficial. No mesmo ano, foram realizados dois Encontros Nacionais de Estudantes, também desafiando a legislação da ditadura. 

Em 1977, em 19 de maio, os estudantes celebrariam um Dia Nacional de Luta em diversas universidades do país, exigindo o fim das prisões, dos atos de exceção, das leis repressivas e reclamando liberdades políticas e democracia. Em Brasília, o ato resultou em punições aos participantes, e os estudantes responderam com uma greve exigindo que fossem anuladas. A Universidade de Brasília (UnB) acabou sofrendo sua terceira invasão. Em setembro, seria a vez de a PUC-SP ser ocupada pela polícia. Em agosto, os estudantes paulistas recriariam a União Estadual dos Estudantes (UEE), tornada ilegal em novembro de 1964 pela Lei Suplicy. O exemplo de São Paulo será seguido por outros Estados e terá início o movimento pela recriação da União Nacional dos Estudantes (UNE). 

Nesta passeata de março, um forte aparato policial acompanhou o ato, mas não houve prisões. A maioria das faixas dizia respeito às reivindicações específicas dos estudantes (“Mais verbas para a educação”). Algumas traziam palavras de ordem políticas – “Pelas liberdades democráticas” e “Abaixo a repressão”.