17 de dezembro

EUA instalam base em ilha brasileira

População de Fernando de Noronha vê tropas desembarcarem por mar e ar

Arquipélago de Fernando de Noronha, no litoral nordeste do Brasil, recebe base militar dos Estados Unidos.

Desde novembro, a população local vinha assistindo à chegada de navios, dois deles de grande porte, e ao desembarque de material por helicóptero. Cerca de 150 norte-americanos e 250 brasileiros envolveram-se nas obras de construção.

Totalmente fora do controle do Brasil, mas graças a um acordo com o governo brasileiro, as tropas norte-americanas poderiam permanecer na base por cinco anos, prazo que poderia ser renovado pelo mesmo prazo, para monitoramento dos mísseis teleguiados lançados do cabo Canaveral, na Flórida.

Em troca, o governo brasileiro receberia equipamentos militares no valor de 100 milhões de dólares, além do auxílio no desenvolvimento de um sistema de comunicação instalado no morro do Francês, ponto de recepção e transmissão de rádio no território.

Desde a Conferência dos Chanceleres, ocorrida no Rio em 1942 — ainda durante a 2ª Guerra Mundial, portanto —, vários acordos de cooperação econômica e militar haviam sido assinados entre os Estados Unidos e os países da América Latina. Depois de difíceis negociações, o governo Vargas autorizara o governo americano a utilizar portos de Recife e Salvador e a construir bases aéreas no Norte e Nordeste brasileiro.

Juscelino, cuja política externa era alinhada com os Estados Unidos, viabilizou o acordo de Fernando de Noronha mesmo depois de terminado o conflito mundial. Para os norte-americanos, o arquipélago continuava sendo importante, devido a sua localização estratégica entre a América do Sul e a África.

A base norte-americana em Fernando de Noronha seria desativada em janeiro de 1959.