16 de julho

Exército reprime a greve de Osasco

Mais de 400 são presos; movimento sindical fica enfraquecido por dez anos

Às 9h da manhã do dia 16, um toque de sirene na Cobrasma, metalúrgica com 3 mil trabalhadores em Osasco, na Grande São Paulo, anuncia a ocupação da fábrica. Era o início de uma greve em que tropas do Exército entrariam em confronto direto com os trabalhadores.

Os grevistas exigiam 35% de aumento salarial, contrato coletivo de dois anos e reajustes salariais trimestrais. O movimento foi liderado pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, José Ibrahim, um jovem de apenas 20 anos ligado à organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

A paralisação durou três dias e atingiu 6 das 11 principais fábricas da região. Embora tenham resistido ao cerco das tropas do Exército durante todo o dia, os operários da Cobrasma acabaram sendo desalojados na madrugada. Mais de 400 foram presos. A greve terminou sem que nenhuma das reivindicações fosse atendida. O sindicato foi invadido e posto sob intervenção.

Foi a última grande greve de trabalhadores de 1968. Somente dez anos depois, em 1978, com a paralisação da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), o movimento operário voltaria a realizar mobilizações expressivas.