21 de novembro

Fecham-se as urnas e Cruzado é alterado

Plano Cruzado 2 reajusta preços e tarifas e provoca revolta popular

Seis dias depois do pleito que deu vitória esmagadora ao PMDB, o governo do presidente José Sarney lança o Plano Cruzado 2, que acaba com o congelamento de preços de alguns produtos e de tarifas públicas e fixa novas regras para a correção salarial. O propósito era frear o consumo, aumentar a arrecadação (com o aumento de impostos embutidos nos reajustes) e conter gastos públicos. O governo anunciou aumentos significativos nos preços dos automóveis (80%), cigarros (45% a 120%), bebidas (100%), açúcar (25%), tarifas de energia elétrica (35%), telefone (35%) e correios (80%). 

O gatilho salarial, acionado quando a inflação acumulada atingisse 20%, foi mantido, mas parcelas acima do percentual seriam deixadas para o disparo seguinte e as antecipações seriam descontadas. O cruzado passou a ser desvalorizado diariamente e foi anunciado um grande corte nos gastos públicos.

As medidas revoltaram a população. Seis dias depois de anunciadas, o país foi sacudido por passeatas, protestos, depredações e incêndios de ônibus. Na capital da República, as manifestações foram intensas e violentas.