15 de março

Fernando Collor de Mello toma posse

Governo do novo presidente começa sob o signo da incerteza

Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito diretamente pelo povo brasileiro após o fim da ditadura militar, toma posse em meio a grandes incertezas. Com 40 anos de idade, é o mais jovem presidente da República na história do Brasil.

Havia grandes dúvidas sobre os rumos de seu governo, devido à falta de uma sólida base de apoio no Congresso e à predominância de nomes desconhecidos em sua equipe de governo. Numa conjuntura marcada pela hiperinflação e pela crise econômica, Collor prometera em sua campanha uma redução drástica do gasto público, a modernização do Estado e a abertura da economia. No dia seguinte à sua posse, editaria um plano antiinflacionário que bloqueou as contas bancárias e os ativos financeiros de todos as pessoas físicas e jurídicas, inclusive os recursos depositados na caderneta de poupança, investimento historicamente garantido pelo governo federal.

Collor foi o mais votado no primeiro turno, favorecido pela juventude, pela imagem de político enérgico e renovador, proporcionada pela fama de “caçador de marajás” (funcionários públicos com altos salários) e por seus duros ataques ao desgastado governo Sarney. Derrotou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, numa campanha muito radicalizada, na qual contou com apoio dos grandes empresários e dos principais grupos de mídia do país.

Alagoano, de tradicional família do Estado, o novo presidente começou sua trajetória política na Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido oficial do regime militar, pelo qual foi nomeado prefeito de Maceió. Em 1986, elegeu-se governador pelo PMDB, partido que abandonaria para fundar o pequeno PRN (Partido da Reconstrução Nacional), legenda com que disputou a Presidência da República.