3 de outubro

FHC é eleito presidente sob a bênção do Real

Ex-ministro da Fazenda, Fernando Henrique ultrapassa Lula e vence no 1° turno

O candidato da coligação PSDB-PFL, Fernando Henrique Cardoso, é eleito presidente da República no primeiro turno da eleição. Desde o lançamento do Plano Real, em junho, Fernando Henrique ultrapassara o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que era o favorito desde o ano anterior. O eleito recebeu 34,3 milhões de votos (54,2% dos votos válidos) contra 17,1 milhões de votos dados a Lula (27%).

A polarização entre os candidatos do PT e do PSDB se repetirá em todas as disputas presidenciais posteriores. Além deles, concorreram os candidatos Enéas Carneiro (Prona), Orestes Quércia (PMDB), Leonel Brizola (PDT), Esperidião Amin (PPR), Carlos Antônio Gomes (PRN) e Hernani Fortuna (PSC).

Antes de se tornar ministro da Fazenda em 1993, Fernando Henrique era um político com tímido desempenho eleitoral. Até a campanha presidencial, ele não vencera nenhuma votação com liderança. Assumiu seu primeiro mandato parlamentar em 1983 no Senado, na vaga aberta pela eleição de Franco Montoro, de quem era suplente, ao governo de São Paulo. Em 1985, tentou com grandes chances a Prefeitura paulistana, mas acabou perdendo para o ex-presidente Jânio Quadros. Em 1986, conseguiu se reeleger senador na segunda vaga do Estado, atrás de Mário Covas.

Com o lançamento das primeiras fases do Plano Real no início de 1994, o PSDB percebeu o potencial da candidatura do ministro, caso as medidas econômicas fossem bem-sucedidas em suas etapas posteriores. Assim, em março, Fernando Henrique deixou o cargo depois de costurar uma aliança com o PFL, que lhe deu como vice o senador Guilherme Palmeira, substituído depois por Marco Maciel devido a denúncias de seu envolvimento com empreiteiras. A partir de julho, quando a nova moeda começou a circular, a candidatura tucana ganhou forte impulso.

Em agosto, com o sucesso da moeda forte e dos preços estabilizados, Fernando Henrique assumiu a liderança nas pesquisas. A candidatura de Lula perdeu força também em função de suas críticas ao novo plano e de eventos paralelos, como a proibição pelo Tribunal Superior Eleitoral do uso de cenas externas no horário gratuito, como as que mostravam as Caravanas da Cidadania.

Tal como seu adversário, Lula também enfrentou problemas com seu primeiro vice, José Paulo Bisol, do PSB.  Acusado de apresentar emendas superfaturadas para o município de Buritis (MG), onde tinha uma fazenda, Bisol foi substituído pelo deputado Aloizio Mercadante, do PT.

A poucas semanas da eleição, o sucessor de Fernando Henrique no Ministério da Fazenda, Rubens Ricupero, foi forçado a deixar o cargo após uma frase dita antes de uma entrevista à TV vazar e ser captada por antenas parabólicas. Nela, o ministro dizia em relação à gestão econômica: “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. O “escândalo da parabólica”, entretanto, não abalou a candidatura de Fernando Henrique.