30 de novembro

Figueiredo chama estudante no braço

General presidente é hostilizado na rua em semana de alta da gasolina

Dois dias depois de aumentar o preço da gasolina em 58%, o general presidente João Baptista Figueiredo é hostilizado nas ruas de Florianópolis e reage a um estudante que o ofende com um palavrão. “Minha mãe não está em pauta”, respondeu Figueiredo. Deu um pontapé no jovem e partiu para cima dele com os punhos cerrados, mas foi contido pelos seguranças. Depois da passagem do general presidente pela cidade, sete estudantes são presos e indiciados na Lei de Segurança Nacional. 

O aumento do preço dos combustíveis agravou a insatisfação social com o governo ao fim de um ano de carestia, inflação alta e aprofundamento da crise econômica com o segundo choque mundial nos preços do petróleo. No caminho entre o aeroporto e o centro da cidade, donas de casa batiam panelas em protesto contra o custo de vida e cerca de 4 mil estudantes vaiavam a passagem do general. 

Recebido para uma solenidade no palácio do governo, Figueiredo foi à sacada e ouviu mais vaias; dessa vez, de um grupo de 50 pessoas. Depois, caminhou para o Café Senadinho, enquanto eram mantidas à distância milhares de pessoas que portavam faixas de protesto: “Mais arroz e mais feijão”, “Não sorria, abaixo a carestia”. O incidente com o estudante ocorreu na porta do Senadinho. “Isso é por conta do aumento da gasolina”, comentou o ministro de Minas e Energia, César Cals.

Em conversa com os jornalistas logo após o episódio, Figueiredo afirmou, referindo-se aos estudantes: “Eles têm todo o direito de serem comunistas, mas não no meu país. Vão gritar essas coisas lá na Rússia”. Mais tarde, num churrasco com políticos da Arena, o general justificou assim seu comportamento: “Ofensa pessoal, por mais alto que seja meu cargo, eu não aceitarei, esteja onde estiver”.