23 de maio

Filme retrata a luta do capitão Lamarca

Chega ao cinema a história do capitão do Exército que aderiu à luta armada

É lançado nos cinemas brasileiros o filme “Lamarca, o Capitão da Guerrilha”, dirigido pelo cineasta Sérgio Rezende. Inspirado em livro homônimo, de 1980, de autoria de Emiliano José e Oldack Miranda (1980), o filme retrata os dois últimos anos da vida do capitão Carlos Lamarca desde a sua saída do Quartel de Quitaúna (SP) até sua execução sumária no interior da Bahia, em 1971. Lamarca foi uma das principais lideranças da luta armada no Brasil e um dos mais caçados pela repressão.

Oficial do Exército brasileiro, Lamarca deixou a força em 1969, levando um carregamento de armas para integrar-se à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que se fundirá com o grupo Colina (Comando de Libertação Nacional) para formar a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). A partir daí se tornou um dos inimigos mais odiados pelo regime militar. No filme, o capitão é interpretado pelo ator Paulo Betti.

Em seguida, Lamarca montou um foco guerrilheiro no Vale do Ribeira (SP), de onde escaparia mais tarde de um cerco do Exército com um grupo de militantes. Ele romperia depois com a VAR-Palmares para recriar a VPR. Nessa fase, o capitão comandou o sequestro do embaixador suíço no Brasil, Giovanni Bucher, libertado em trocada de 70 presos políticos.

Em março de 1971, depois de meses de fuga e clandestinidade e com a VPR destroçada por prisões de militantes, Lamarca ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).  Empenhado em criar um foco de guerrilha rural, deslocou-se para o sertão da Bahia. Em Salvador, sua companheira, Iara Iavelberg, foi morta pela polícia após ser localizada num “aparelho”. A versão inicial de que ela se matara seria desmentida 30 anos depois.

Na caatinga, faminto, doente e isolado, Lamarca foi executado sumariamente por soldados comandados pelo então major Nilton Cerqueira. Exausto pela fuga, descansava sob uma árvore ao lado de outro militante, José Campos Barreto, o Zequinha, na localidade de Pintada (BA).