21 de julho

'Fora daqui o FMI' é o novo grito da rua

Greve geral e protestos de massa contra mais um decreto de arrocho

Mais de 2 milhões de trabalhadores de 35 categorias profissionais participam de greve geral contra o agravamento do arrocho salarial, previsto no Decreto-Lei 2.045, de 13 de julho. A paralisação concentrou-se na região do ABC e em São Paulo, onde o comércio fechou as portas e a Polícia Militar reprimiu manifestações. Mais de 300 pessoas foram presas. No Rio, 50 mil manifestantes saíram em passeata, gritando uma nova palavra de ordem: “Fora daqui o FMI”. Houve passeatas em outras capitais, como Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. O governo decretou intervenção nos sindicatos dos bancários e dos metroviários de São Paulo.

O Decreto 2.045 estabelecia que os reajustes de todas as faixas salariais seriam limitados a 80% da variação do índice de inflação (INPC). Foi proibida a negociação de percentuais maiores a título de produtividade. O decreto permitia que empresas “com insuficiência econômica” pagassem reajustes ainda menores. Foi a terceira e mais dura medida de arrocho baixada pelo governo desde o acordo assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro.

No mesmo dia 13 de julho, o governo anunciou o tabelamento dos juros e criou o imposto-calamidade, que confiscava 4% dos rendimentos das cadernetas de poupança e outros ativos. As medidas foram anunciadas em reunião do Conselho de Segurança Nacional.  À noite, em cadeia de rádio e TV, o general presidente João Baptista Figueiredo afirmou que a nação teria de fazer “mais este sacrifício” para enfrentar a crise. No dia seguinte, Figueiredo viajaria em licença médica aos Estados Unidos e passaria o governo pela segunda vez ao vice, Aureliano Chaves.