5 de julho

Frente Liberal desembarca do PDS

Parte da cúpula abandona o partido e faz acordo com PMDB pró-Tancredo

O vice-presidente da República, Aureliano Chaves, e os senadores José Sarney, Marco Maciel e Jorge Bornhausen, do PDS, lançam o Manifesto da Frente Liberal, que propõe “um governo de conciliação nacional”. Sarney e Bornhausen, respectivamente presidente e vice do PDS, renunciam aos cargos no diretório. Aureliano desiste de disputar a sucessão do general presidente João Baptista Figueiredo. A dissidência viabiliza um acordo com o PMDB para eleger presidente o governador de Minas, Tancredo Neves, no Colégio Eleitoral.

O racha no partido do governo é resultado do desgaste político da ditadura, agravado pela rejeição da emenda das Diretas, e da disputa interna pela indicação do candidato à sucessão de Figueiredo. O general presidente perdera o controle do confronto entre seu candidato, o ministro do Interior, coronel Mário Andreazza, e o deputado Paulo Maluf, ex-governador de São Paulo. Numa competição marcada pela compra de apoios com oferta de cargos e até de dinheiro, o favoritismo de Maluf logo tornou-se evidente.

No ano seguinte, logo após a eleição de Tancredo Neves, os dissidentes do PDS lançariam o Partido da Frente Liberal (PFL), com o compromisso de, junto do PMDB, dar sustentação ao governo do próximo presidente da República.