6 de março

Gana proclama sua independência

Começa o desmonte dos impérios coloniais europeus na África

Kwame Nkrumah, chefe do governo da Costa do Ouro (colônia britânica), declara a independência de seu país, que passa a se chamar Gana e terá capital em Acra. É o fim de um longo processo que inclui revoltas, a formação de uma assembleia local amplamente favorável, prolongadas negociações com o Reino Unido e a unificação de diversos protetorados.

A vitória dos Aliados havia alimentado as esperanças dos nacionalistas de diversas colônias europeias na África. A doutrina do nazifascismo era contrária à autonomia dos povos do continente; por outro lado, o Reino Unido e os Estados Unidos haviam assinado, em 1941, a Carta do Atlântico, que reconhecia o direito de autodeterminação dos povos como um dos princípios básicos das relações internacionais.

Após a guerra, os britânicos introduziram algumas reformas que aumentaram a autonomia da colônia, como a possibilidade de eleger uma Assembleia Legislativa local, como forma de inibir os reclamos de independência. Essas mudanças limitadas, porém, não satisfizeram as aspirações locais. Em 1948, uma revolta anticolonialista deixou dezenas de mortos e centenas de feridos no sul da Costa do Ouro.

Pressionado, o Reino Unido apresentou uma proposta de autonomia gradual, que foi aceita por todos os líderes nacionalistas, exceto Nkrumah, que passou a defender a independência imediata do país e a promover, inspirado em Mahatma Gandhi, atos de desobediência civil. Nkrumah dizia que “a liberdade não é algo que um povo pode conceder a outro: ela é reivindicada por um povo e nenhum outro pode tirá-la”.

Nkrumah foi preso pelos britânicos em 1951, mas isso só contribuiu para torná-lo ainda mais popular. Seu partido, a Convenção do Partido Popular, acabou preenchendo 34 das 38 cadeiras da Assembleia Legislativa. A partir daí, o Ministério das Colônias do Reino Unido teve de ceder: o novo governador britânico enviado para a Costa do Ouro abriu negociações com Nkrumah para a construção de um governo que possibilitasse o fim do regime colonial.

Assim, em março de 1957, a Costa do Ouro se tornou o primeiro país da África Ocidental a conquistar a independência e o primeiro da África Subsaariana após a Segunda Guerra. Deixou o Reino da Comunidade de Nações Britânicas e foi rebatizado como Gana, numa referência ao antigo reino que ocupou a região entre os séculos 10 e 15. Três anos depois, adotaria o nome definitivo de República de Gana.

Após a independência, Kwame Nkrumah tomou posse como primeiro-ministro. Pan-africanista, ele tentou formar uma união de Estados africanos. A proposta, nunca se concretizou, mas a Conferência dos Povos Africanos, realizada em 1958 na cidade de Acra, foi um importante momento para a articulação das forças políticas pró-independência das diferentes regiões do continente. Nos oito anos seguintes, trinta novos países surgiriam no mapa africano.