15 de março

Geisel assume ditadura em tempo de crise

Quarto general presidente vai governar sob permanente tensão militar e política

Ernesto Geisel toma posse como quarto general presidente e cria expectativas de mudanças na economia e na política. Substitui o ministro da Fazenda de Médici, Delfim Neto – identificado com o chamado “milagre econômico” –, pelo economista liberal Mário Henrique Simonsen, que tem a missão de debelar a inflação. Leva para a Casa Civil o general Golbery do Couto e Silva para tocar um projeto de “abertura” política sob controle da ditadura.

Ao contrário das expectativas, o governo Geisel será marcado pelo crescimento da inflação – pressionada pelo primeiro choque mundial do preço do petróleo, entre outros fatores – e pelo aumento da dívida externa. O projeto de abertura será enfrentado pelo aparelho de repressão, que continuaria operando livremente, lançando o governo numa permanente crise militar e política. A posse de Geisel coincidiu com a campanha militar de assassinato dos remanescentes da guerrilha do PCdoB no Araguaia. As execuções foram autorizadas pelo novo general presidente.

A cerimônia de posse teve a presença dos ditadores Augusto Pinochet, do Chile, e Hugo Banzer, da Bolívia, além do civil Juan Maria Bordaberry, tutelado pelos militares do Uruguai.

Ao longo do governo, os estreitos limites da “abertura” política serão desafiados pelas vitórias eleitorais da oposição, pela retomada do movimento estudantil, pelo crescimento da luta pela anistia e pela rearticulação do movimento sindical. O projeto político da ditadura começaria a se esgotar.