12 de outubro

Geisel enquadra rivais no Exército

Ministro Frota tenta golpe e fracassa; Figueiredo se consolida na sucessão

O general presidente Ernesto Geisel demite o ministro do Exército, Sylvio Frota, que se colocava como candidato à sua sucessão em nome das Forças Armadas. Frota tentou reagir, convocando os comandantes do Exército a Brasília para enfrentar o presidente, mas Geisel havia se antecipado à tentativa de golpe e convocara os mesmos generais para uma reunião no Palácio do Planalto. Isolado, Frota pediu passagem para a reserva e foi substituído no cargo pelo general Fernando Belfort Bethlem, em tese um de seus aliados.

Com a demissão de Sylvio Frota, Geisel assumiu o controle de sua sucessão na área militar e abriu caminho para seu escolhido, o general João Baptista Figueiredo. Os aliados de Frota eram identificados como a “linha-dura” das Forças Armadas. Em panfletos e documentos que circulavam nos quartéis, acusavam o chefe do Gabinete Civil, general Golbery do Couto e Silva, de proteger comunistas e de trair o “processo revolucionário”. Também resistiam à ascensão de Figueiredo, um general relativamente jovem que ainda não tinha alcançado a quarta estrela. Frota e seu grupo opunham-se abertamente ao projeto de “distensão lenta, gradativa e segura” enunciado por Geisel em 1974.

Mesmo diante dos retrocessos políticos de 1977 (cassações, Pacote de Abril, repressão aos estudantes), esses militares seguiram denunciando a “infiltração comunista” no governo. Um mês antes de ser demitido, o ministro fez chegar aos jornais uma lista de 98 “subversivos” empregados em universidades, ministérios e governos estaduais. O terceiro nome da lista era o da futura presidenta Dilma Rousseff, que por isso foi dispensada do cargo de estagiária da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul. Geisel, que acumulava atritos com Frota desde 1975, considerou a lista uma provocação.