16 de abril

General entra na guerra do campo

Com 916 conflitos no país, chefe do CSN assume novo Ministério da Terra

Vinte e quatro posseiros invadem a fazenda Santa Maria, na localidade de Xinguara, em Conceição do Araguaia (PA), de onde eles e suas famílias haviam sido expulsos três semanas antes. Num tiroteio, um funcionário da fazenda morre e sete pessoas saem feridas. A explosão dos conflitos pela terra obriga a ditatura a se mover. Em 12 de outubro, o general presidente João Baptista Figueiredo anunciaria a criação do Ministério Extraordinário de Assuntos Fundiários, liderado pelo general Danilo Venturini, chefe do Gabinete Militar e presidente do Conselho de Segurança Nacional (CSN).

Venturini já comandava o Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), lançado em 1980 para atuar na mesma região onde havia sido dizimada a guerrilha do Araguaia. A política fundiária do governo retomava o viés militar e estratégico do período Garrastazu Médici. Em vez de promover a entrega de terra aos camponeses, a ditadura tentava mais uma vez deslocá-los para a Amazônia.

Levantamento do Fórum Verdade da Universidade Federal do Pará mostra que, entre 1979 e 1985, durante o governo Figueiredo, 1.196 pessoas morreram em conflitos pela terra, seja em função da repressão policial, seja pela ação de pistoleiros e jagunços. Mais da metade eram sindicalistas rurais e líderes de posseiros e trabalhadores sem-terra, além de 14 advogados e 8 religiosos. O número de mortos no campo durante o período Figueiredo foi mais do que o dobro do registrado nos governos dos outros generais presidentes (537 mortes).