15 de janeiro

General presidente recebe 400 votos

Arena sacramenta Geisel; 'autênticos' do MDB boicotam Colégio Eleitoral

O Colégio Eleitoral, composto pelos membros do Congresso Nacional e delegados das Assembleias Legislativas dos Estados, confirma a indicação dos generais Ernesto Geisel e Adalberto Pereira dos Santos para presidente e vice-presidente da República.

Geisel e seu vice receberam os 400 votos da Arena, numa eleição indireta em que os representantes do partido eram obrigados a votar no candidato oficial sob pena de perderem o mandato. Era a “fidelidade partidária” instituída pela ditadura em emenda constitucional de 1969. Quarto general presidente da ditadura, Geisel tomaria posse em 15 de março para um período de cinco anos.

Os anticandidatos do MDB, Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho, que participaram da eleição indireta com o objetivo de denunciar a farsa política, receberam 76 votos. Ulysses levou seu nome ao plenário contrariando a expectativa da chamada “ala autêntica” do MDB. Esse grupo, mais identificado com a esquerda, defendeu desde o início a estratégia da anticandidatura, mas seus membros não pretendiam participar do Colégio Eleitoral e boicotaram a sessão.

Esse foi um dos primeiros embates no MDB entre “autênticos” e “moderados”, políticos mais conservadores que eram maioria na legenda. Enquanto presidiu o partido, Ulysses arbitrou as divergências entre os grupos, pendendo ora para um lado, ora para outro. O acerto político da anticandidatura seria confirmado nas eleições parlamentares de novembro do ano seguinte, com a vitória da oposição no Senado e a eleição de mais de um terço da Câmara pelo MDB.