27 de dezembro

DIP controla toda a informação no país

Órgão também promove o governo e organiza manifestações patrióticas

O presidente baixa decreto criando o Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP. A nova instituição substitui o Departamento Nacional de Propaganda. Coordenado por Lourival Fontes, o DIP deverá centralizar e coordenar a propaganda nacional e servir como elemento auxiliar de informação dos ministérios e entidades públicas e privadas.

Na prática, por sua ligação direta com a Presidência da República, o DIP seria o porta-voz oficial do governo e o órgão máximo de coerção à liberdade de expressão durante o Estado Novo.

Nos anos seguintes, DIP censurou o teatro, o cinema, o rádio, a literatura e a imprensa, proibindo a divulgação de informações que considerava nocivas ao país. Nesse campo, organizou e produziu a “Hora do Brasil”, o programa oficial de radiodifusão do governo.

Essa poderosa instituição também estimularia a produção de filmes educativos nacionais e os qualificaria (ou não) para a concessão de prêmios e favores. Além disso, promoveria, organizaria e patrocinaria manifestações patrióticas e populares com intuito educativo ou turístico, assim como exposições das atividades do governo.

Mas a ação do DIP não se restringiria à censura e a propaganda. Com a regulamentação do órgão, publicada dois dias depois, o governo teria ferramentas para controlar as relações de trabalho entre patrões e empregados de empresas jornalísticas, conceder prêmios, favores e subvenções a jornais, editoras, companhias cinematográficas e teatrais, assim como fornecer, a preços subsidiados, o papel importado pelo governo para os jornais.

Com essa estrutura altamente centralizada, o governo exerceria, nos anos seguintes, o controle da informação e o domínio sobre a vida cultural do país.