29 de agosto

Governo anuncia 'distensão segura'

Geisel apresenta projeto de 'abertura controlada' e tenta legitimar o regime

Em discurso aos dirigentes da Arena, o presidente Ernesto Geisel anuncia o projeto de “lenta, gradativa e segura distensão”.  A estratégia, traçada pelo general Golbery do Couto e Silva, era alterar a Constituição por meio do Congresso, de forma a legitimar parte dos atos institucionais autoritários, restabelecendo alguns direitos democráticos.

Golbery tentou ganhar o apoio do MDB e da cúpula da igreja católica, acenando com o afrouxamento da censura e um diálogo em torno das reformas. Mas, desde o começo, deixou claro que não haveria abertura para a esquerda nem espaço para contestações ao regime. Todas as mudanças deveriam ocorrer sob o comando da ditadura. A estratégia dependia da manutenção do controle do Congresso pela Arena.

A maior resistência ao projeto partia de setores militares (a chamada “linha dura”). O ministro do Exército, Sylvio Frota, iria se tornar a face visível dessa resistência. Os agentes diretos da repressão e seus comandantes sabotariam a “distensão”, com atentados e perseguição violenta a comunistas e líderes religiosos. Ao longo do governo, Geisel iria ceder ou resistir às pressões da “linha dura” conforme as circunstâncias, a fim de manter o controle do quadro político.

“Erram — e erram gravemente, porém — os que pensam poder apressar esse processo pelo jogo de pressões manipuladas sobre a opinião pública e, através desta, contra o governo”, disse Geisel no discurso à Arena. E acrescentou: “Tais pressões servirão, apenas, para provocar contrapressões de igual ou maior intensidade, invertendo-se o processo da lenta, gradativa e segura distensão, tal como se requer, para chegar-se a um clima de crescente polarização e radicalização intransigente, com apelo à irracionalidade emocional e à violência destruidora. E isso, eu lhes asseguro, o governo não o permitirá”.