3 de maio

Governo endurece contra petroleiros

Objetivo é intimidar trabalhadores que se mobilizam contra privatizações

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) inicia uma greve dos trabalhadores no setor público contra as medidas privatizantes anunciadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O movimento perde força nas demais categorias, mas é sustentado pelos petroleiros, que resistem à proposta de flexibilização do monopólio estatal do petróleo. Surpreendido, o governo decide quebrar a greve a qualquer preço.

Mais de 90% dos petroleiros suspenderam o trabalho nas refinarias, plataformas, terminais de distribuição e unidades administrativas da Petrobras ao longo dos 32 dias de greve, que reivindicava também o cumprimento dos acordos do ano anterior. Os trabalhadores se organizaram para garantir o abastecimento básico e preservar os equipamentos. Mesmo assim, foram acusados pela imprensa de comprometer o fornecimento, inclusive do gás de cozinha.

Os petroleiros enfrentaram dezenas de demissões, o noticiário hostil da mídia, a decretação de ilegalidade da greve pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a ocupação das refinarias pelo Exército. No 23º dia da paralisação, o TST julgou mais uma vez o movimento abusivo e impôs aos dirigentes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e aos sindicatos multa de R$ 100 mil por cada dia não trabalhado. Desde o fim da ditadura, não se via repressão tão forte a uma paralisação de trabalhadores.

Frente ao endurecimento do governo, o movimento grevista recebeu o apoio de outras categorias. Em 31 de maio, a CUT promoveu um dia nacional de solidariedade aos petroleiros. A repercussão sensibilizou o Congresso, que formou uma comissão pluripartidária para intermediar a reabertura das negociações com a Petrobras. O diálogo foi, então, retomado e a empresa aceitou cancelar as punições e parcelar os descontos dos dias parados.

A greve foi suspensa em 2 de junho. Ao todo, foram demitidos 73 trabalhadores, entre eles vários dirigentes sindicais. Mais de mil petroleiros foram punidos com suspensões de até 29 dias.

O fim do monopólio estatal do petróleo acabou sendo posteriormente aprovado pelo Congresso, mas a paralisação dos petroleiros teve um papel decisivo: contribuiu para impedir que prosperasse a proposta mais danosa de privatização da Petrobras.