10 de outubro

Governo inicia a Transamazônica

Médici começa obras da rodovia que se tornará a maior obra inacabada do país

Com a presença do general presidente Médici e de todos seus ministros, começam oficialmente as obras da rodovia Transamazônica, BR-230, em uma clareira aberta a oito quilômetros da cidade de Altamira, no Pará. Parte de um projeto tão ousado quanto inconsequente, a estrada que iria rasgar o coração da Amazônia custou mais de US$ 1 bilhão à época. Não chegaria ao fim e acabaria sendo quase totalmente tragada pela floresta.

A Transamazônica era a joia do Plano de Integração Nacional (PIN), que incluía uma rodovia gêmea, a Perimetral Norte, a rodovia Cuiabá-Santarém, um projeto de irrigação no Nordeste e a ponte Rio-Niterói – única obra efetivamente concluída. O slogan do PIN era “integrar para não entregar”.

O PIN também se propunha a solucionar a questão agrária no Brasil, deslocando cem mil famílias de agricultores, especialmente nordestinos, para projetos de colonização às margens da Transamazônica – as chamadas agrovilas. “Uma terra sem homens para homens sem terra”, era o slogan do projeto.

A rodovia, planejada para ligar o Piauí ao Acre, nunca foi concluída. Chegou apenas até a cidade de Lábrea, no Amazonas. A maior parte da estrada não foi asfaltada, tornando-se intransitável na época das chuvas. Os colonos, que vieram principalmente do Rio Grande do Sul, terminaram isolados e sem assistência para produzir. As obras da Transamazônica atravessaram territórios de 29 povos indígenas.