16 de julho

Governo adota o método Paulo Freire

Experiências bem-sucedidas do educador no Nordeste atraem a atenção de Jango

O governo federal lança a Campanha Nacional de Alfabetização e cria, para coordená-la, a Comissão de Cultura Popular (CCP), sob a presidência do educador Paulo Freire. O objetivo da campanha é disseminar pelo território nacional o método Paulo Freire, desenvolvido pelo Movimento de Cultura Popular (MCP) em Pernambuco, testado em vários estados do Nordeste e levado ao Rio, São Paulo e Brasília pelo Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O governo João Goulart fora atraído pelos impressionantes resultados obtidos pela Pedagogia do Oprimido — como Freire designou o seu método — nas experiências de Angicos e Mossoró (RN) e João Pessoa (PB). Em Angicos, 300 trabalhadores foram alfabetizados em 45 dias.

Na presidência da CCP, Freire prepararia as bases de um amplo programa nacional, fazendo o levantamento do número e da localização dos analfabetos — 20,4 milhões de pessoas entre 15 e 45 anos em todo o território nacional — e a montagem de cursos de preparação dos professores.

Em 21 de janeiro de 1964, Jango anunciaria o início do Programa Nacional de Alfabetização.

A Pedagogia do Oprimido é um método de alfabetização que se inicia com a investigação do universo temático dos educandos; entende o conhecimento como um trabalho coletivo, onde todos, inclusive o professor, participam da compreensão da realidade local e da imersão naquele universo vocabular. A alfabetização é simultânea a uma releitura coletiva da realidade.

A ideia de que o conhecimento pode ser, em si, algo revolucionário faria de Freire um alvo dos militares. Logo após o golpe de 1964, ele seria preso e obrigado a se exilar. Pelos 16 anos seguintes, disseminaria pelo mundo o seu método inovador de alfabetização.