Fevereiro

Governo recupera a popularidade

Pesquisas mostram que crise política dá sinais de arrefecimento

O cenário de instabilidade política que se instaurou no Brasil em 2005, em grande parte devido às denúncias e investigações do “mensalão”, dá sinais de enfraquecimento. A aprovação ao governo federal volta a crescer entre o final de 2005 e o início de 2006, junto com a recuperação da imagem do presidente: pesquisas eleitorais indicam vitória de Lula no 2º turno, ao contrário do que acontecia até novembro de 2005, quando o então prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), aparecia como favorito ao pleito presidencial.

Pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2006 mostra que a aprovação ao governo crescera oito pontos percentuais em relação a dezembro de 2005: a taxa dos que consideravam a gestão ótima ou boa passa de 28% para 36%, enquanto o percentual dos entrevistados que classificam o governo como ruim ou péssimo cai seis pontos, de 29% para 23%. 

Com relação à corrida eleitoral de 2006, enquete de dezembro de 2005 apontava vitória de Serra sobre Lula por 36% a 29%. Já a pesquisa do Datafolha de 20 e 21 de fevereiro de 2006 indica  Lula liderando a disputa com 39%, contra 31% de José Serra. 

No início do mandato, em 2003, o governo Lula era aprovado por 43% dos brasileiros. Em 2004, com as denúncias envolvendo a CPI dos Bingos, a aprovação caiu a 38%, recuperando o fôlego ao final do ano, quando atingiu 45%. Essa recuperação encontrava respaldo em um ambiente econômico favorável: para 65% dos brasileiros, sua situação econômica pessoal iria melhorar nos meses seguintes, maior taxa verificada até então no governo Lula.

Em 2005, com as investigações do “mensalão”, a reprovação ao governo subira para 23% em julho,  com o aumento da insatisfação principalmente entre os brasileiros com renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos. Em dezembro de 2005, a aprovação a Lula cairia a 28%.

O período da crise política aberto pelo “mensalão” foi também marcado por repetidas manifestações de apoio dos movimentos sociais a Lula e seu governo e pela intensificação das agendas do presidente em atos públicos ao redor do país.