Novembro

Governo socorre os bancos em crise

Proer custou cerca de R$ 30 bilhões aos cofres públicos em cinco anos

A quebra do Banco Nacional, um dos maiores do país, dá início a uma crise já previsível no sistema bancário brasileiro. Com a implantação do Plano Real, as receitas dos bancos, que eram beneficiadas pela inflação, foram fortemente impactadas. As instituições que não se ajustaram à nova realidade econômica acumulariam prejuízos financeiros que as levariam à falência. Depois do Nacional, quebraram também os bancos Econômico, Bamerindus e outros de menor expressão. Os correntistas tiveram seus ativos garantidos.

A falência do Banco Econômico gerou também uma das primeiras crises políticas no governo Fernando Henrique Cardoso. O senador Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado Federal e importante líder do PFL, partido da coalizão governista, pressionou o presidente para evitar a intervenção no banco baiano, mas não foi atendido.

Para evitar o colapso do sistema bancário e colocar em risco a estabilidade do Plano Real, o governo lançou o Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional (Proer). O Proer permitiria aos bancos saudáveis adquirir as instituições insolventes com empréstimos do Banco Central, que poderiam ser abatidos com “moedas podres” adquiridas com deságio no mercado.  Entre 1995 e 2000 foram destinados em títulos de longo prazo (até 30 anos) mais de R$ 30 bilhões aos bancos brasileiros, ou aproximadamente 2,5% do PIB. Sete instituições foram socorridas pelo programa: os bancos Nacional, Econômico, Bamerindus, Mercantil de Pernambuco, Banorte, Crefisul e Pontual.

O governo foi muito criticado pelas oposições pelo socorro aos bancos e enfrentou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso. Controlada pela base parlamentar governista, a comissão não conseguiu demonstrar irregularidades no programa, que acabou sendo reconhecido como medida necessária ao ajuste financeiro pós-Real.