3 de abril

Grande irmão dos EUA ajuda golpistas

Operação Brother Sam lançou frota naval dos EUA em direção ao Brasil

Dois dias depois do golpe militar no Brasil, o governo dos EUA suspende o deslocamento de uma frota da Marinha norte-americana que se dirigia para a região do porto de Santos (SP). A Operação Brother Sam, como foi chamada em código, previa a chegada da esquadra ao país em 11 de abril, para dar apoio aos golpistas em caso de reação por parte de militares e governadores legalistas. A intervenção foi considerada desnecessária depois que o presidente deposto, João Goulart, partiu para o exílio no Uruguai, em 2 de abril, desmobilizando qualquer resistência. 

A frota partiu da base naval de Norfolk em 31 de março, de acordo com as instruções do embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, que participara ativamente da conspiração contra Goulart. Foram deslocados dois porta-aviões da Marinha, com uma esquadrilha de aviões de caça, um navio com 50 helicópteros, um encouraçado, uma embarcação de transporte de tropas, além de navios petroleiros. Foram também colocados à disposição da frota 25 aviões C-135 e 110 toneladas de armas e munições. A Operação Brother Sam permitiria uma intervenção militar rápida em pontos estratégicos do Brasil.

O plano de invasão foi  mantido em segredo por 12 anos até ser revelado em 1976 pelo jornalista Marcos Sá Corrêa, do "Jornal do Brasil", que teve acesso a documentos do Departamento de Estado dos EUA. Em 2013, o documentário “O Dia que Durou 21 Anos", de Camilo Tavares, apresentou gravações de conversas na Casa Branca em que o presidente John Kennedy dava o sinal verde para a participação do seu país no apoio ao golpe. Outras gravações mostraram seu sucessor, Lyndon Johnson, autorizando o envio da frota para o Brasil com o objetivo de depor Jango. “Não podemos mais engolir esse cara”, diz Johnson. O "cara" em questão era o presidente constitucional do Brasil.

Os comunicados referentes à Operação Brother Sam deixam claro o propósito dos EUA de intervir militarmente no Brasil, o que já ocorria no Vietnã. Anos mais tarde, em entrevista, Lincoln Gordon confirmou o deslocamento da esquadra. Partiu dele a solicitação para cancelar a operação em 3 de abril, com recomendação de que ela fosse mantida em absoluto segredo.

A interferência dos EUA na disputa política que levaria ao golpe militar havia sido denunciada em 1963, por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a atuação do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad). A entidade vinha patrocinando a publicação de livros e material de propaganda anticomunista no Brasil, além de ter financiado, em 1962, as campanhas eleitorais de políticos alinhados com o governo norte-americano. A comissão revelou que tanto o Ibad quanto o Instituto de Pesquisas Sociais (Ipes) tinham conexões com a CIA, agência de inteligência dos EUA.