29 de outubro

Greve dos 700 mil paralisa São Paulo

Trabalhadores conquistam aumento, mas não conseguem legitimar CNTI

Assembleia convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e pelo Pacto de Ação Conjunta (PAC) decreta greve geral em São Paulo, em nome de 79 sindicatos de 14 categorias profissionais, que abrangem 700 mil trabalhadores.

A paralisação duraria cinco dias e mobilizaria 80% da base sindical dos metalúrgicos, têxteis, gráficos, químicos, marceneiros, empregados nas indústrias de laticínios, de trigo, massas alimentícias, curtume, bebidas, mobiliários, artefatos de couro e calçados. Ela atingiria também diversas cidades do interior de São Paulo, como Santos, São José dos Campos, Osasco e Marília.

Os trabalhadores tinham mais do que reivindicações salariais. Queriam dos patrões o reconhecimento da CNTI e do PAC como representantes legítimos dos trabalhadores nas negociações com os patrões, e dissídios unificados das categorias por eles representados, o que aumentaria os ganhos daquelas com menor poder de mobilização.

Os empresários, representados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), eram contra a unificação do dissídio e o reconhecimento da CNTI. As negociações, que começaram no início do mês, chegaram a um impasse, o que levou à deflagração da greve. O movimento teria o apoio do ministro do Trabalho, Amauri Silva, e do presidente João Goulart, mas seria fortemente reprimida pelo governo paulista, que prenderia 600 grevistas.

A greve acabaria vitoriosa em suas reivindicações salariais: para os trabalhadores, aumento imediato de 80%, mais 25% nos seis meses seguintes. Não conseguiria, todavia, o reconhecimento da CNTI como entidade representativa de todos os industriários.