27 de outubro

Controladores param aeroportos

Más condições de trabalho e investigação de acidente motivam operação-padrão

Em protesto contra as condições de trabalho, controladores de voo fazem operação-padrão e causam atrasos nos principais aeroportos do país. O protesto se relaciona também com as investigações sobre a colisão de avião da Gol com jato particular, que matou 154 pessoas em setembro — relatórios preliminares apontam falhas na comunicação entre pilotos e controladores.

As mobilizações dos controladores, militares em sua maioria, afetariam o tráfego aéreo do país. Em novembro, para garantir improvisadamente o controle dos voos, 260 controladores seriam aquartelados no Centro de Controle Aéreo (Cindacta) em Brasília.

A crise alcançaria seu ponto mais crítico em março de 2007, quando esses trabalhadores paralisariam os 49 aeroportos comerciais do Brasil e todo o tráfego aéreo nacional. Entre as principais demandas da categoria estaria a desmilitarização da profissão.

A crise levaria a uma intensa mobilização da opinião pública, devido ao grande impacto na rotina dos usuários do transporte aéreo — cada vez mais numerosos. Filas, atrasos e cancelamentos se tornariam recorrentes no período. A imprensa cunharia a expressão "caos aéreo", para designar o quadro de transtornos nos aeroportos de todo o país.

Os problemas só seriam resolvidos depois de intensas negociações envolvendo ministros civis e militares.

O governo reforçaria os investimentos em recursos humanos e na infraestrutura aeroportuária — medidas necessárias para atender ao número crescente de brasileiros que passaram a viajar de avião. Em 2003, 33 milhões de passageiros decolaram dos aeroportos do país. Em dezembro de 2013, com a expansão da classe média, esse número subiria para 133 milhões.