15 de outubro

Greve geral paralisa estado de São Paulo

Jânio chega a apoiar movimento, mas recua quando ele vira a Greve dos 400 Mil

Trabalhadores do estado de São Paulo decretam greve geral. O movimento reivindica 45% de reajuste salarial e políticas contra aumento de preços de produtos de consumo popular.

Era o ápice de um período de ebulição sindical iniciado pela articulação de várias categorias em torno da Aliança Intersindical por Aumento de Salário e contra a Carestia.

A decretação da greve fora precedida por uma intensa mobilização de tecelões, gráficos, vidraceiros, trabalhadores de curtume e das indústrias de papel, favorecida pelo compromisso do governador Jânio Quadros — que se declarou “amigo das greves” — de não reprimir os manifestantes.

Em poucos dias aderiram ao movimento novos contingentes de trabalhadores, vindos da indústrias químicas, alimentícias e de borracha. Quando a mobilização já se alastrara para todo o estado, a greve geral foi decretada.

Um dia após a decretação da Greve dos 400 mil — como ficaria conhecida —, operários entrariam em confronto com a segurança privada da Ford e da Vemag. Jânio, então, voltaria atrás e poria nas ruas 10 mil soldados da Força Pública.

O retorno da repressão policial, no entanto, não funcionou como queriam os empresários, a UDN e a grande imprensa. Os trabalhadores, dentro e fora do ambiente dos sindicatos, demonstravam cada vez mais força.

Os confrontos, o apoio dos estudantes e de partidos políticos — além de uma relativa neutralidade do Exército, que reprimiria apenas o piquete de Osasco, próximo de uma unidade militar — influenciariam o comportamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT): dez dias depois da decretação da greve geral, ele concederia reajuste salarial de 25% aos trabalhadores — índice que se reduziria a 18% depois que os empresários apelassem da decisão, mas os grevistas já teriam acatado a decisão judicial e suspendido o movimento.