31 de julho

Distrito Federal funda universidade

Anísio Teixeira assume reitoria da nova instituição, que visa socializar cultura

Cerimônia de inauguração da Universidade do Distrito Federal lota o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a presença de toda a elite educacional brasileira, além do ministro da Educação, Gustavo Capanema, e do prefeito, Pedro Ernesto. A nova instituição tem como objetivo principal “propagar as aquisições da ciência e das artes, pelo ensino regular de suas escolas e pelos cursos de extensão popular”, e deverá privilegiar a formação de professores, dentro da perspectiva do ensino público, laico e gratuito.

A Universidade era inicialmente composta por cinco escolas — Ciências, Educação, Economia e Direito, Filosofia e Instituto de Artes —, e o corpo docente, por muitos dos maiores intelectuais brasileiros, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Cecília Meireles, Jaime Coelho, Afonso Arinos de Melo Franco, Anísio Teixeira, Cândido Portinari, Hermes Lima, Lourenço Filho, Lúcio Costa e Mário de Andrade. Também contava com um grupo de professores franceses, como o professor Henri Hauser, da Sorbonne, que indicou professores para a recém-criada Universidade de São Paulo.

Anísio Teixeira, chefe do departamento de Instrução Pública da capital e reitor provisório da instituição, rebateu em seu discurso as críticas da igreja católica, que havia tentado impedir a criação da universidade: “A serviço do presente e do futuro, a Universidade não deseja, entretanto, constranger o porvir dentro de fórmulas apriorísticas ou predeterminadas. Muito ciosa das conquistas feitas de liberdade de pensamento e de crítica, a Universidade não as dispensa para viver. Não terá ela nenhuma ‘verdade’ a dar, a não ser a única verdade possível, que é a de buscá-la eternamente. Fiel, assim, à grande tradição universitária da humanidade, havia de, por certo, desgostar aos que querem diminuir o Brasil até ajustá-lo aos limites de suas ideologias pessoais e de suas pessoais inquietações”.