13 de março

Intelectuais reagem ao autoritarismo

Caráter ditatorial do regime fica claro até para defensores do golpe de 1964

Às vésperas do primeiro aniversário do golpe, era cada vez mais claro que a ditadura militar pretendia ficar no poder por muito tempo. Aqueles que acreditavam que o governo militar seria efêmero logo tiveram de encarar a realidade.

Por ocasião do golpe, os partidos que apoiaram a intervenção militar acharam que os novos donos do poder iriam apenas “colocar a casa em ordem”, eliminando adversários indesejáveis, e depois iriam voltar para os quartéis. O mandato do general presidente Castelo Branco havia sido fixado por dois anos, findos os quais eleições diretas seriam convocadas para escolher um novo presidente. Em julho de 1964, todavia, os militares mostraram que tinham vindo para ficar. O mandato de Castelo foi prorrogado, por força de ato institucional, até 1967. 

Os atos repressivos pareciam não ter fim, com seguidas intervenções nos sindicatos, novas cassações de mandatos e atos de censura e de intimidação à imprensa e aos artistas. Por qualquer razão, oposicionistas eram presos.

Movimentos de confronto da intelectualidade começaram a tomar corpo com o Manifesto Nacional pela Democracia, que exigia a volta do Estado de Direito, o fim das intervenções nos sindicatos, a garantia da liberdade de expressão, a libertação dos presos políticos e a reintegração dos cassados. Defendia também a realização das eleições previstas para os anos de 1965 e 1966.

Publicado na primeira página do "Correio da Manhã", jornal liberal que havia apoiado a derrubada de João Goulart, o manifesto trazia a assinatura de 107 intelectuais, artistas e jornalistas -- um arco amplo, que ia de cristãos, como Alceu Amoroso Lima, a comunistas, como Oscar Niemeyer, e incluía pessoas que um ano antes tinham sido favoráveis ao golpe.