22 de janeiro

Intelectuais se unem pela democracia

Escritores exigem soberania popular, liberdade de expressão e voto livre

O Teatro Municipal de São Paulo abre as portas para o 1º Congresso Brasileiro de Escritores, que reúne representantes dos 21 estados e 16 países. O evento, presidido por Aníbal Machado e coordenado por Sérgio Milliet, reune nomes expressivos da intelectualidade do país, como Dionélio Machado, Murilo Rubião, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Gilberto Freyre, Pedro Nava, Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Lacerda, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Antonio Candido, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Monteiro Lobato, Paulo Emílio Sales Gomes, Fernando de Azevedo e Jorge Amado estão presentes.

O evento se encerraria com uma declaração de princípios, aprovada por unanimidade, reivindicando liberdade de expressão, voto livre, soberania popular e a urgente reorganização política do país.

Raro momento de coesão dos intelectuais e exercício inédito de conciliação no mundo cultural brasileiro, o congresso, que mobilizou liberais, católicos, socialistas e comunistas, escritores e expoentes do pensamento social e jurídico brasileiro, logrou uni-los contra o Estado Novo e em defesa da democracia. “Não podemos admitir, sob nenhum pretexto ou subterfúgio, que se enfeite ainda aqui a planta viciosa do fascismo”, alertou Oswald de Andrade.

Os preparativos da Associação Brasileira de Escritores (ABDE) para realização do congresso foram apoiados pela imprensa e tiveram a solidariedade de personalidades de várias partes do mundo, entre elas o físico Alberto Einstein.

Apesar do pedido prévio dos organizadores para suspender a censura sobre o importante acontecimento, o governo vetou a publicação de qualquer notícia. O manifesto seria publicado apenas no dia 4 de março, quando os órgãos de imprensa já estariam desafiando abertamente o regime.

Os dias do Estado Novo estavam chegando ao fim.