6 de janeiro

Itamar-FHC: criador renega a criatura

Agora à frente do governo de Minas, ex-presidente colide com o sucessor

Logo após assumir o governo de Minas Gerais, Itamar Franco declara moratória de 90 dias da dívida de R$ 16,2 bilhões com o governo federal. O governador justifica a decisão com o argumento de que o Estado não tinha dinheiro suficiente para honrar seus compromissos – dos vencimentos dos funcionários públicos à alimentação nos presídios. Segundo Itamar, essa situação se devia ao fato de que incidiam sobre a dívida de Minas com a União taxas de juros maiores (7,5%) do que com outros Estados do país (6% no caso de São Paulo, por exemplo).

O episódio deixou claro que a afinidade que existia entre Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso em 1994, e que produziu o Plano Real, não existia mais em 1999. Numa nota redigida de próprio punho, o governador formalizou a moratória de 90 dias.

O governo de FHC ficou em uma situação delicada. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, chegou a acusar Itamar de agir contra a estabilidade financeira do Brasil e a prejudicar investimentos estrangeiros no país. O governador do Ceará, Tasso Jereissati, acusou Itamar de caloteiro. Mas não houve calote. A dívida mineira começou a ser quitada em março de 2000, depois que as duas partes chegaram a um entendimento.

A crise entre Itamar Franco e Fernando Henrique, porém, ainda seria marcada por novos episódios. Ainda em 1999, o governador surpreendeu o governo federal, ao retomar judicialmente o controle acionário da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que havia sido parcialmente privatizada pelo ex-governador Eduardo Azeredo. Mais tarde, Itamar enviaria tropas da Polícia Militar de Minas para a usina de Furnas, deixando claro que resistiria por todo os meios às tentativas de privatização da empresa.