7 de setembro

Com menos poderes, Jango assume

Presidente aceita parlamentarismo; premiê será Tancredo Neves

O vice-presidente João Goulart assume a Presidência em substituição a Jânio Quadros, que renunciou há 13 dias. Seus poderes como presidente, porém, estão reduzidos pela emenda constitucional que instituiu o parlamentarismo.

“Sabem os partidos, sabem os parlamentares, sabem todos que, inclusive por temperamento, inclino-me mais a unir do que a dividir, prefiro pacificar a acirrar ódios, prefiro harmonizar a estimular ressentimento”, disse Goulart em seu discurso de posse. Sua concordância com a mudança do sistema de governo para contornar o veto militar à sua posse era a principal prova de suas intenções conciliatórias.

No dia seguinte à posse, Goulart encaminharia ao Congresso a indicação do deputado Tancredo Neves (PSD) para primeiro-ministro, o que reiterava a pouca disposição do novo presidente para o confronto.

Tancredo havia exercido importante papel na articulação da solução parlamentarista para derrubar o veto militar à posse de Jango. Era um político que, em situações de conflito, preferia a negociação e a cautela.

Com o nome aprovado, o deputado mineiro lideraria o chamado “gabinete de conciliação nacional”, onde estavam representados os principais partidos nacionais: o PSD, maior no Congresso Nacional; o PTB, partido do presidente; a oposicionista UDN; o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Social Progressista (PSP). O plano de governo do gabinete tentaria combinar medidas de austeridade fiscal, para controlar a inflação, com políticas sociais.

O primeiro ministério parlamentarista, porém, teria vida curta: os graves problemas econômicos e a instabilidade política o derrubariam menos de um ano depois. Receberia um empurrão do próprio Jango que, a partir de maio de 1962, passaria a defender publicamente o retorno ao presidencialismo. Em junho, o gabinete liderado por Tancredo se demitiria em bloco.