14 de abril

Jânio cria o Parque Nacional do Xingu

Área em MT é vitória de antropólogos e visa a proteção indígena e ambiental

O presidente Jânio Quadros decreta a criação do Parque Nacional do Xingu, no nordeste de Mato Grosso, na parte sul da Amazônia e totalmente inserido na bacia do rio Xingu. A decisão é uma vitória de indigenistas e antropólogos pela demarcação de uma área de proteção indígena e ambiental capaz de deter a redução da população local, vitimada pela violência e pelas doenças trazidas por colonizadores.

A reserva teria apenas um décimo do território de 20 milhões de hectares previstos pelo marechal Cândido Rondon no primeiro anteprojeto do parque. Ainda assim, ela seria fundamental para preservar territórios de tribos ameaçadas pela especulação de terras que vinha desde o declínio do terceiro ciclo da borracha e era intensificada pelos estímulos à colonização da região — por meio do programa Marcha para Oeste, levado à frente no Estado Novo.

Em termos históricos, a região fora primeiramente documentada em 1884, pelo antropólogo alemão Karl von den Steinen, que registrou aspectos geográficos e a presença de várias tribos indígenas.

Em 1943, incluídos na expedição Roncador-Xingu — que se embrenhava na região para abrir caminhos por terra e campos de pouso —, os irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Vilas-Boas estabelecem contato com os camaiurás, cuicuros, matipus, trumais, uaurás e outros povos.

Mesmo vivendo sob relativo isolamento, as populações indígenas contatadas pelos irmãos vinham sofrendo, ao longo dos anos, a redução de sua população, basicamente por duas razões: doenças contagiosas adquiridas pelo contato com colonos brasileiros; e a ação predatória do Estado e de agropecuaristas interessados na extração de madeira e na expansão de suas plantações e pastagens.

A partir dessa incursão, os irmãos Vilas-Boas deram início a uma série de ações destinadas a proteger aquelas populações e suas culturas.

Afinados com Rondon — na época presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI) —, os irmãos se uniram aos antropólogos Darcy Ribeiro e Eduardo Galvão e ao médico indigenista Noel Nutels para defender a criação de um território exclusivo para os índios do Xingu.

A proposta esbarraria nos interesses do governo mato-
-grossense, que promovia intensa distribuição de terras, inclusive indígenas, a empresas colonizadoras. Essa política afetou diretamente outras populações indígenas como os crenacarores, que foram quase totalmente dizimados.

Até a criação do parque, a situação dos índios do Xingu era crítica, com grande número de mortes.

Em 1973, por força do Estatuto do Índio, o parque nacional foi convertido em Parque Indígena do Xingu. Nos dias atuais, o parque abriga 16 etnias e é uma referência da diversidade cultural e ambiental da região amazônica.