14 de dezembro

JK paga £ 6 mi por porta-aviões velho

Em vez de apaziguar, compra reforça disputas entre Marinha e Aeronáutica

O governo brasileiro compra da Inglaterra, pela exorbitância de 6 milhões de libras esterlinas, o ultrapassado porta-aviões “HMS Vengeance”, construído em 1942. Rebatizado de “Minas Gerais”, a embarcação, pertencente à classe Colossus (intermediária entre o porta-aviões de escolta e o de esquadra), tem 200 metros de comprimento, 70 canhões e capacidade para 1.300 homens e até 35 aviões.

O presidente Juscelino Kubitschek, ao autorizar a compra do porta-aviões, pretendia apaziguar os ânimos dos oficiais militares da Marinha e da Aeronáutica, que até aquele momento mantinham seu governo sob tensão permanente.

Ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, Juscelino chegara a confidenciar: “Sei que este é um brinquedo inútil, um navio que não serve para nada. Mas a Marinha tentou impedir a minha posse. Se o preço da submissão da Marinha à Constituição é o porta-aviões, acho que vale a pena”.

O que o presidente não pôde prever é que o porta-aviões acabaria virando um motivo de conflito entre a Marinha e a Aeronáutica, que reivindicariam o controle sobre o equipamento de guerra. Essa disputa só seria resolvida no governo do marechal Castelo Branco, já na ditadura militar.

O porta-aviões ainda seria submetido a uma reforma nos Países Baixos e só no final dos anos 1960 seria incorporado à frota da Marinha brasileira, ainda assim com sérias limitações tecnológicas.

No final da década de 1990, o Brasil negociaria com a França a compra do porta-aviões Fogh, rebatizado de “São Paulo”. O “Minas Gerais” seria desativado em 2001.