4 de abril

'Mudarei a capital', promete Juscelino

Candidato percorre o país duas vezes para divulgar seu Plano de Metas

Juscelino Kubitschek (PSD) realiza em Jataí (Goiás) o primeiro comício de sua campanha presidencial. Do palanque, garante que, se eleito presidente, cumprirá a Constituição.

Ao ouvir a promessa, alguém da multidão perguntou: “Então o senhor pretende cumprir o dispositivo que determina a mudança da capital federal para o Planalto Central?”. O autor da pergunta foi “Toniquinho” (Antônio Carvalho Soares), mas a resposta não estava no Plano de Metas de JK.

O candidato, porém, respondeu solenemente: “Se for eleito, farei a mudança da sede do governo”. Foi aplaudido com entusiasmo, e a nova capital passou a integrar o programa de governo.

Jataí foi a primeira das cidades visitadas nas duas voltas que Juscelino faria pelo país nos seis meses seguintes, usando trem, lancha, navio, automóvel, cavalo ou avião. Nesse período, gravou 100 programas de televisão, participou de 300 mesas-redondas e deu 500 entrevistas. Em nenhum momento atacou seus adversários. Centralizou a campanha na defesa de um plano de metas para o Brasil. Seu slogan curto e forte marcou os debates: “50 anos em 5”. O país precisava crescer — e crescer rapidamente.

A vitória de Juscelino em 3 de outubro reeditaria o sucesso da aliança PSD-PTB, que elegera Eurico Gaspar Dutra (1945) e Getúlio Vargas (1950). Contudo, o apoio do governador paulista Jânio Quadros ao candidato Juarez Távora (UDN) e a própria candidatura do ex-governador Ademar de Barros (PSP), ambos com grande peso eleitoral em São Paulo, dificultariam a disputa.

Juscelino seria eleito com 33,82% dos votos válidos; contra 28,7% de Távora e 24,4% de Ademar de Barros. João Goulart (PTB) se elegeria vice-presidente com 44% dos votos.

Tão logo o resultado foi anunciado, a oposição tentou impedir a posse de Juscelino, alegando que ele não obtivera a maioria absoluta dos votos — mas a Constituição e a lei não tinham essa exigência, e posse ocorreria na data marcada.