13 de julho

Após 8 meses, SP tem novo interventor

Conflitos com elite paulista derrubam João Alberto; Laudo Camargo assume

Depois de meses de tensão, Getúlio afasta do governo de São Paulo o pernambucano João Alberto, um dos principais nomes do tenentismo, e nomeia para o cargo o paulista Laudo Camargo.

Em 24 de março, o Partido Democrático lançou um manifesto acusando João Alberto de perseguir “ilustres paulistas” e estimular as atividades da Legião Revolucionária, “cuja finalidade real é o açambarcamento perpétuo das posições oficiais, a propaganda de ideias subversivas, de ditadura permanente, a guerra ao Partido Democrático e a morte do civilismo”. O documento ainda defendeu a formação de uma frente única em São Paulo para lutar por uma Assembleia Nacional Constituinte e pela devolução da autonomia do estado.

O manifesto só foi divulgado no dia 7 de abril, atendendo a um pedido de Getúlio, que procurou resolver antes os conflitos entre o interventor e a elite paulista. Mas a prisão de Vicente Rao (e outros líderes do Partido Democrático) e ainda a invasão das sedes do partido e das oficinas do “Diario Nacional” tornaram o confronto inevitável. 

No dia 28 de abril, oficiais da Força Pública Paulista e membros do partido tentaram um levante contra o interventor, sem sucesso. Em represália, João Alberto mandou prender mais de duzentos revoltosos e transferir vários oficiais do Exército para outras regiões do país, além de substituir o general Isidoro Dias Lopes pelo general Góis Monteiro no comando da 2ª Região Militar. 

Durante o período em que governou São Paulo, João Alberto autorizou o funcionamento do Partido Comunista do Brasil, permitiu a criação da Sociedade dos Amigos da Rússia, fundou a seção estadual da Legião Revolucionária e aposentou e nomeou juízes estaduais sem pedir a opinião dos caciques políticos.