22 de julho

Jornalista critica Castelo e é preso

Lacerdista, Helio Fernandes chama general de "frio e ressentido"

Dois dias depois do acidente aéreo que matou Castelo Branco, Helio Fernandes escreve editorial na primeira página do jornal carioca "Tribuna da Imprensa": “Com a morte de Castelo Branco, a humanidade perdeu pouca coisa, ou melhor, não perdeu coisa alguma. Com o ex-presidente, desapareceu um homem frio, impiedoso, vingativo, implacável, desumano, calculista, ressentido, cruel, frustrado, sem grandeza, sem nobreza, seco por dentro e por fora, com um coração que era um verdadeiro deserto do Saara”.

A resposta dos militares foi imediata. Por ordem do ministro da Justiça, Gama e Silva, o jornalista foi preso e levado para a ilha de Fernando de Noronha por 30 dias. Dali seria transferido para o quartel de Pirassununga, em São Paulo, onde permaneceu detido por mais um mês.

Antes do golpe, a "Tribuna da Imprensa" tinha sido porta-voz da ala mais reacionária da UDN e do governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e esteve na linha de frente do movimento contra Jango. O editorial de Helio Fernandes refletia o afastamento entre os militares e parte do círculo político udenista que havia conspirado contra João Goulart.