31 de agosto

Junta Militar toma o comando do país

Derrame afasta Costa e Silva; militares vetam posse do vice civil, Pedro Aleixo

Vítima de acidente vascular cerebral (isquemia), que o deixa semiparalisado e impossibilitado de falar, Costa e Silva é levado de Brasília para o Rio, onde fica isolado no Palácio das Laranjeiras. O general Jayme Portela, chefe do Gabinete Militar e homem forte do governo, esconde do país a gravidade da doença, que só é conhecida por ele e pelos três ministros militares.

Enquanto os boatos se espalhavam, Portela tramou com os colegas a substituição do presidente inválido por uma Junta Militar, impedindo a posse do vice-presidente civil, Pedro Aleixo. Os ministros Lyra Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Souza Mello (Aeronáutica) assumiram, então, o comando do governo. Para isso, baixaram o Ato Institucional Nº 12, lido em cadeia de rádio e TV naquela noite de domingo. Pedro Aleixo ficaria sob vigilância do Centro de Informações do Exército (CIE) durante toda a crise, praticamente preso pelos ministros militares.

O AI-12 foi apresentado ao país como um fato consumado, para evitar a resistência de comandantes militares que questionavam a autoridade da Junta. Não havia prazo estabelecido para a permanência no poder do trio de ministros, consumando-se, assim, mais um golpe dentro do golpe. Quase 20 anos depois, ao proclamar a Constituição democrática de 1988, o deputado Ulysses Guimarães iria referir-se à Junta Militar pelo apelido com que, historicamente, ela ficou conhecida: “Os Três Patetas”.